{"id":682,"date":"2025-08-25T11:06:59","date_gmt":"2025-08-25T14:06:59","guid":{"rendered":"https:\/\/elaspolitica.com.br\/?p=682"},"modified":"2025-08-25T11:06:59","modified_gmt":"2025-08-25T14:06:59","slug":"violencia-contra-mulheres-e-criancas-o-novo-retrato-da-seguranca-publica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/elaspolitica.com.br\/index.php\/2025\/08\/25\/violencia-contra-mulheres-e-criancas-o-novo-retrato-da-seguranca-publica-no-brasil\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra mulheres e crian\u00e7as: o novo retrato da seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>M\u00e1rcia Carvalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil registrou queda de 5,4% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024. Os dados, divulgados no&nbsp;<em>Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2025<\/em>, indicam redu\u00e7\u00e3o nos homic\u00eddios dolosos, latroc\u00ednios, mortes por interven\u00e7\u00e3o policial e les\u00f5es corporais seguidas de morte. Um al\u00edvio? Talvez. Mas a face mais cruel da viol\u00eancia persiste e avan\u00e7a, justamente onde o pa\u00eds deveria ser mais protetor: entre mulheres, crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os assassinatos diminuem, a viol\u00eancia dom\u00e9stica cresce, silenciosa e letal. Feminic\u00eddios, abusos infantis, crimes psicol\u00f3gicos e persegui\u00e7\u00f5es virtuais se espalham como um rastro invis\u00edvel. O relat\u00f3rio mostra que, no Brasil, a paz ainda n\u00e3o chegou para quem mais precisa dela.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A perman\u00eancia brutal da viol\u00eancia de g\u00eanero<\/h5>\n\n\n\n<p>Os homic\u00eddios de mulheres parecem ter se estabilizado, mas o recorte de g\u00eanero revela uma trag\u00e9dia: entre 2013 e 2023, 47.463 mulheres foram assassinadas. Treze por dia. Em 2023, foram 3.903 mortes uma taxa de 3,5 assassinatos para cada 100 mil mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, o pa\u00eds registrou 1.492 feminic\u00eddios. Um crescimento de 7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Houve ainda 3.870 tentativas e mais de 51 mil casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todas as v\u00edtimas, 97%, foram mortas por homens. E, em 64,3% dos casos, o crime ocorreu dentro de casa. Lar, para muitas, continua sendo sin\u00f4nimo de medo.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil dos agressores confirma o padr\u00e3o: 8 em cada 10 feminic\u00eddios foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. A maior parte das v\u00edtimas era negra (63,6%) e tinha entre 18 e 44 anos, mulheres em plena fase produtiva, arrancadas do conv\u00edvio por um sistema que insiste em invisibiliz\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada estat\u00edstica, o racismo estrutural se desenha com nitidez. N\u00e3o \u00e9 apenas uma crise de seguran\u00e7a. \u00c9 tamb\u00e9m uma crise de valores e de prioridades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ntnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/output-5-1024x608.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2090\" style=\"width:443px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Stalking: o medo que n\u00e3o aparece na foto<\/h5>\n\n\n\n<p>O anu\u00e1rio tamb\u00e9m registra um salto preocupante nos casos de stalking persegui\u00e7\u00f5es obsessivas que causam medo, ansiedade e controle. Foram 95.026 registros em 2024, um aumento de 18,2% em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de viol\u00eancia, muitas vezes banalizado ou ignorado, tem alvo certo: mulheres. E um perigo real. Em boa parte dos casos, o perseguidor \u00e9 um ex-companheiro, algu\u00e9m que se recusa a aceitar o fim e transforma o \u201cn\u00e3o\u201d em amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O stalking pode ser o primeiro passo de uma escalada que termina em agress\u00f5es, sequestros ou feminic\u00eddio. \u00c9 preciso lev\u00e1-lo a s\u00e9rio \u2014 antes que vire estat\u00edstica fatal.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Medidas Protetivas<\/h5>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia dom\u00e9stica gerou mais de 1 milh\u00e3o de chamadas \u00e0 Pol\u00edcia Militar, apenas em 2024, por descumprimento de medidas protetivas de urg\u00eancia. Ao todo, foram concedidas 555 mil ordens de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os n\u00fameros revelam tamb\u00e9m os limites da lei: 10,8% dessas medidas foram ignoradas pelos agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>O dado exp\u00f5e um gargalo grave. A medida protetiva, que deveria garantir seguran\u00e7a, ainda falha em impedir o acesso do agressor \u00e0 v\u00edtima. Faltam fiscaliza\u00e7\u00e3o, estrutura e acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o volume de concess\u00f5es mostra que as mulheres continuam recorrendo \u00e0 Justi\u00e7a. Elas n\u00e3o desistiram. E \u00e9 justamente por isso que o Estado precisa responder com mais que papel e promessa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil segue reduzindo os homic\u00eddios, mas ainda n\u00e3o aprendeu a proteger quem mais precisa. No balan\u00e7o da seguran\u00e7a p\u00fablica, a vida das mulheres e das crian\u00e7as continua em risco. N\u00e3o basta sobreviver \u2014 \u00e9 preciso garantir o direito de viver sem medo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Crian\u00e7as em risco: a viol\u00eancia come\u00e7a dentro de casa<\/h5>\n\n\n\n<p>Outro dado que salta aos olhos no Anu\u00e1rio \u00e9 o aumento da viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes. Em 2024, foram 2.356 registros. Mas o n\u00famero que mais assusta \u00e9 o das mortes violentas: houve um crescimento de 3,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte dessas agress\u00f5es ocorre no ambiente dom\u00e9stico. Crian\u00e7as de 0 a 4 anos s\u00e3o as mais afetadas \u2014 violentadas dentro do pr\u00f3prio lar, onde deveriam estar protegidas. Muitas dessas trag\u00e9dias acontecem em sil\u00eancio, longe dos holofotes, sem manchete. A dor n\u00e3o vira not\u00edcia, mas destr\u00f3i fam\u00edlias inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>No Maranh\u00e3o, um dos casos mais estarrecedores de 2025 ocorreu em Trizidela do Vale. Maria \u00cdsis, uma menina de apenas 5 anos, foi levada desacordada ao hospital pelo pr\u00f3prio padrasto. Tinha o corpo marcado por les\u00f5es graves. N\u00e3o resistiu. O homem foi preso como principal suspeito. A m\u00e3e, que inicialmente permaneceu em sil\u00eancio, acabou detida ap\u00f3s confessar que presenciou as agress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso gerou como\u00e7\u00e3o e revolta. E escancarou o que os n\u00fameros j\u00e1 tentam dizer: a inf\u00e2ncia no Brasil ainda est\u00e1 sob ataque muitas vezes, dentro de casa, por quem deveria amar e cuidar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ntnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/output-4-1024x763.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2091\" style=\"width:384px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estupro de vulner\u00e1veis<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds tamb\u00e9m bateu um recorde triste em 2024: 87.545 casos de estupro, o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Desses, 76,8% foram classificados como estupros de vulner\u00e1vel contra pessoas incapazes de consentir, como crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia. A imensa maioria das v\u00edtimas (87,7%) era do sexo feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais v\u00edtimas continuam sendo meninas e adolescentes, com destaque para a faixa entre 10 e 17 anos, que concentrou quase um ter\u00e7o dos casos (32,9%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados escancaram a urg\u00eancia de pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o integral que envolvam n\u00e3o apenas a seguran\u00e7a p\u00fablica, mas tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e assist\u00eancia social. O cuidado com a inf\u00e2ncia n\u00e3o pode ser fragmentado. \u00c9 responsabilidade coletiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcia Carvalho O Brasil registrou queda de 5,4% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024. 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